Proteja o seu negócio dos riscos que podem fazê-lo parar

 

Setembro é, de certa forma, um mês de retoma: as agendas voltam a encher-se, os projetos recomeçam e fazem-se contas até ao final do ano. É também, por vezes, um momento de balanço. Enquanto pesquisava o tema desta crónica, dei por mim a pensar que setembro pode ser uma boa altura para acrescentar uma pergunta menos habitual a este exercício: e se alguma coisa correr mal?

Não é, por certo, a questão mais simpática a fazer quando se pensa em crescimento, investimento ou novos projetos. Porém, é essencial para qualquer empresa: gerir um negócio também implica antecipar as situações que podem comprometer aquilo que demorámos anos a construir. São muitas e variadas: um incêndio, uma inundação, uma avaria ou um acidente, mas também uma interrupção da atividade, um problema de responsabilidade civil ou um ataque informático.

Este último não é uma ameaça distante ou reservada às grandes empresas: um estudo da International Data Corporation (IDC) para a Sage, divulgado em maio, revela que apenas 43% das empresas portuguesas inquiridas não registaram qualquer incidente de cibersegurança no último ano, e 16% registaram incidentes que provocaram perturbações significativas no negócio.

Em julho, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) classificou os riscos cibernéticos e de digitalização como elevados, com perspetiva de agravamento, num contexto de rápida evolução da inteligência artificial.

Proteger uma empresa já não passa apenas por fechar a porta no final do dia ou ter uma apólice contra incêndios. A proteção começa por perceber quais são as situações que podem ter maior impacto para cada negócio e quais seriam as consequências financeiras se uma delas se concretizasse.

É aqui que os seguros entram na gestão do risco empresarial. Não impedem que um acontecimento inesperado ocorra, mas ajudam a limitar o seu impacto financeiro, desde que as coberturas estejam adequadas à realidade da empresa. Por isso, mais do que perguntar se uma empresa tem seguros, importa avaliar se está efetivamente protegida.

No caso da cibersegurança, a lógica é semelhante: cópias de segurança, autenticação multifator, sistemas atualizados e um plano de resposta a incidentes não podem faltar. Um seguro de riscos cibernéticos pode fazer parte da estratégia, mas não substitui a prevenção.

Talvez seja esta a melhor utilização empresarial do espírito de setembro: aproveitar o regresso para rever não só os objetivos, mas também as vulnerabilidades. O que aconteceria se a atividade tivesse de parar durante alguns dias? Se os sistemas ficassem indisponíveis? Se uma falha provocasse prejuízos a um cliente?

Não é pensar no pior. É estar preparado para que um imprevisto não transforme um problema numa crise. Por isso, vale a pena falar com quem conhece o setor e identificar que coberturas fazem sentido para o seu negócio, antes de precisar delas.

Porque uma empresa preparada não é só aquela que sabe onde quer chegar. É também aquela que sabe o que pode fazê-la parar — e tem um plano para continuar.

 

Sobre o tema:

Sage / International Data Corporation (IDC), Cibersegurança sobe na agenda das PME em Portugal, mas pressão da IA expõe falhas, 19 de maio de 2026:
https://www.sage.com/pt-pt/noticias/comunicados-de-imprensa/2026/05/ciberseguranca-pme-portugal-ia-falhas/

Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), Painel de Riscos do Setor Segurador da ASF – julho de 2026:
https://www.fga.asf.com.pt/web/site-asf/w/painel-de-riscos-do-setor-segurador-da-asf-julho-de-2026-ni

Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA), SMEs Cybersecurity:
https://www.enisa.europa.eu/topics/awareness-and-cyber-hygiene/smes-cybersecurity

Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), Guias e Referenciais:
https://www.cncs.gov.pt/pt/guias-referenciais/

Notícias relacionadas